
Esta noite volta a chover
Pingos fartos e barulhentos
Num toque-toque a bater cá dentro
Despertando um afogueado sentimento
A saudade grita, fazendo um alarido
Atraiçoando os meus lábios ressequidos
Pondo a baila os meus desejos embutidos
Formigam em combustão; atrevidos
Entro no meu quarto vazio
Fecho as janelas sombrias; receosa
Desço as cortinas, e a solidão invade-me
Olho ao meu redor e sinto-me covarde
Desafiando o meu medo incrustado…
Desligo as luzes, olho o telhado
Um passo aqui, outro acolá
Meio perdida, procurando encontrar-me
Abalroo nas paredes frias, e sombrias
Húmidas, pelo desalento da vida
Sinto frio, sinto-me oca e isolada
Sento-me na cama, e vejo-me derrotada
Envolvida numa falsa quimera
Sinto a ausência da primavera
Do perfume das flores do campo...
Das borboletas, dos pirilampos
Da passarada a chilrear nos arvoredos
Da ausência de um sorriso afectuoso
Sinto a ausência da vida; enfim…
Sinto a ausência de mim.
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